domingo, 7 de fevereiro de 2010

[15] Tela Branca

Num trilho empedrado e poeirento, colunas de luz penetram por entre as folhas dos pinheiros, criando silhuetas disformes perspécticas. Entre duas delas, pegadas de umas botas lamacentas criam pares de perfis desalinhados e angulosos. Estas indicam um caminho, uma direcção para o indefinido, onde mesmo no topo daquele vale, tanto poderá aparecer um castelo medieval resplandecente como um enorme buraco negro.

A linha é recta, mas já dizia Derek Walcott que a linha recta é a distância mais chata entre dois pontos. O que significa ziguezaguear? Não necessariamente complicar. O que significa interromper a linha? Não necessariamente desistir. O que significa percorrer a linha em círculos? Não necessariamente ser estúpido.

A paisagem mais confrangedora e desoladora para uns pode ser a mais rica e esplendorosa para outros. Não existem duas mentes iguais. Cada uma toma as suas interpretações para si próprio. Cada uma tem de avaliar as consequências de atirar uma pedra para uma ribeira. Se vai ou não acertar com a dita pedra na cabeça de algum pato real, ou se simplesmente cria o belo desenho aquático circular em transparente e apática progressão para o vazio.

A vida oferece-nos experiências com as quais temos de crescer. Em tamanho e maturidade e energia e calculismo.

E excluindo o facto de a vida poder ser equiparada a uma linha, é essencial assumir e interiorizar que não existe borracha.

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